O ARTIGO

Vamos agora refletir sobre a exigência de se escrever e publicar artigos científicos nos ambientes acadêmicos . Qual o significado da produção de artigos, tão ovacionada em critérios de avaliação de instituições educacionais e em cursos de pós-graduação?

O artigo é um texto. Um texto, porém, com determinadas especificidades, que o distingue de seus congêneres como a crônica, o conto e outros. Trata-se aqui de colocarmos em questão o artigo chamado “científico”, próprio de cientistas e de pesquisadores, produtores de conhecimentos.

A imperiosidade do artigo

Por que é importante escrever? Qual a importância de estudiosos, cientistas e pesquisadores estarem produzindo artigos? Um texto, segundo Marilena Chauí, contém, em si, muitos outros textos. Aquele que lê, não lê apenas, passivamente palavras. Mas, ao efetuar sua leitura, produz, no exercício da interpretação, um outro texto que lhe é próprio. O leitor é, neste sentido, co-autor de uma obra que se perpetua, justamente, pela sua possibilidade de ser re-lido e, portanto, reescrito.

Pode-se inferir que um texto publicado e lido é um texto que é destituído de seu caráter solitário (obra de um único sujeito) e se transforma em resultado de parceria entre autor e leitor, por um processo sutil de reescrita.

Aqueles que produzem conhecimento, que investigam o real e o re-significam utilizando critérios e caminhos apropriados estão inseridos no locus científico. E o que é a Ciência senão um modo de indagar e uma maneira de buscar respostas? A ciência alimenta-se e se perpetua pela sua capacidade de manter acesa perguntas e desafios frente a uma realidade que torna a perplexidade do ser humano a sua possibilidade de interferência, domínio e modificação do real. Assim, ao expor, publicar (tornar não pessoal) e divulgar um certo conjunto de proposições ou de dados resultantes de pesquisas efetuados, oportuniza-se a ampliação, enriquecimento ou refutação do trabalho em questão. Pois, a ciência e o saber produzido por ela é fruto de diálogos, concessões e adequações a métodos e paradigmas.

Como um texto, o artigo é escrito e produzido para ser lido. Primeira especificidade, pois, refere-se a quem se destina um artigo. O destinatário do artigo depende do público leitor do veículo de publicação. O cientista ou pesquisador pode escrever um artigo para grandes jornais ou suplementos científico-literários de jornais que têm uma circulação ampla entre vários setores da população. Sendo, pois, assim, necessário que o seu autor restrinja a sua terminologia e a adeque à compreensão de leigos e pessoas não necessariamente conhecedores do assunto em pauta. Para tal, o pesquisador, a fim de garantir a exatidão e a clareza de seu texto, deve se exercitar na prática da descrição (por exemplo, de uma aparelhagem) e da narração (recuperando um fato ocorrido). É importante que, seja a descrição, seja a narração, devem ser completas e detalhadas, para que seja possível a perpetuação e a compreensão do conhecimento exposto e para que possa servir como um catalisador de novas produções.

Desta forma, há uma especificidade na redação do artigo que pode ser observada desde a escolha do título do mesmo até as referências bibliográficas.

A estrutura formal do artigo:

Um artigo deve ser estruturado conforme características próprias de sua natureza. Alguns aspectos devem ser observados:

· O título deve ser escolhido em função do conteúdo e de acordo com o público-leitor. Deve-se observar que o título serve de “isca” para atrair a atenção e o interesse na leitura do texto produzido;

· O resumo precisa ser completo, porém numa linguagem concisa em função da objetividade de sua proposta. O resumo (e, a sua versão para o inglês, abstract) assim como o título , são as duas portas de entrada para o leitor, devendo, por isso, serem cuidadosamente elaborados;

· A parte introdutória, inicial do corpo do artigo deve apresentar alguns aspectos gerais do assunto em pauta, apontando o “estado da arte” até o presente e remetendo ao leitor a proposta do artigo em questão e os avanços em termos de pesquisa efetuada. Esta formulação deve ser breve e objetiva;

· Estruturação em colunas torna o texto melhor apresentável; · Como todo texto, deve, em seu conteúdo, conter introdução, desenvolvimento e conclusão;

· Elaboração de resumo e abstract (em inglês) apontando as linhas centrais e os elementos tratados no corpo do artigo;

· Ao final, exposição da bibliografia que foi referida no decorrer do artigo (referências bibliográficas) de acordo com as normas de elaboração da mesma.

· Após o título do artigo (que deve ser significativo e conter o assunto do qual trata o texto), à direita, o nome do autor e, em nota de rodapé ou ao final do artigo (após as referências bibliográficas) dados informativos sobre o autor.

Fechando idéias:

Mais que mera preocupação com o status que representa para o autor ter o seu trabalho publicado, é importante ressaltar que o artigo deve ser proposto como uma maneira de expor a própria produção científica à comunidade. Tal exposição possibilita manter o conhecimento um processo permanente de auto-superação e aprimoramento permanente. Assim, ao se destacar uma estrutura formal na apresentação de um artigo, busca-se uma linguagem que seja relativamente uniforme, facilitando a comunicação e o entendimento de toda a comunidade científica. Produzir artigos não é, pois, questão de vaidade pessoal, mas de aprimoramento e postura do sujeito pesquisador, permanente produtor de artigos.

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